Arábia Saudita Península Arábica

Como eu fui parar na Arábia Saudita

A calmaria de uma cidade do interior da Arábia Saudita
Written by Debora Garcia

Pois bem, senta que lá vem a história! (Quem lembra do Castelo Rá-Tim-Bum? haha) Hoje eu vou te contar como eu fui parar na Arábia Saudita, uma das perguntas que eu mais recebo no blog e nas redes sociais.

O início de tudo

Eu sempre gostei de viajar e desde que me entendo por gente queria morar fora do Brasil. Eu brinco dizendo que a “culpa” é dos meus pais porque nós costumávamos viajar em família sempre que dava, sempre que tinha um feriadinho ou um dia livre na semana. Fora isso, por causa do trabalho do meu pai, nós nos mudamos pra caramba. Casa nova, amigos novos, lugares novos… empacotar e desempacotar… descobrir a vizinhaça… eu amava!

A primeira vez que eu saí do Brasil foi em 2006. Na época, fui pra Califórnia fazer intercâmbio que dava direito a trabalhar (Work Experience) e foi demais. Trabalhei numa creperia no prédio do Kodak Theatre (onde acontece a premiação do Oscar) e numa loja de souvenirs na Universal Studios. Curti pra caramba mas o visto acabou e eu acabei voltando pro Brasil.

Nos anos que se seguiram eu ficava sonhando em ir pro exterior mas não sabia como. Pensei em ser au pair mas a idade não ajudava (eu já tinha 30 anos); pensei em trabalhar em hostels em troca de acomodação e alimentação (Worldpackers, HelpX, Workaway…) mas desisti porque não teria dinheiro pra fazer mais nada; pensei em viver do meu antigo blog (hackeado, perdi tudo) mas ele não dava dinheiro suficiente pra me manter; pensei em tirar um ano sabático e viver viajando mas teria que juntar muita grana pra isso e o salário de professora não tava ajudando…

Até que em dezembro de 2012 eu resolvi tentar a vida nômade combinada com o blog. Pedi demissão, peguei todo meu dinheiro e fui mochilar pelas Américas. Comecei na Flórida, subi até o Canadá, cruzei até a Califórnia e desci até o México. Foram 6 meses mochilando de ônibus e de carona e foi incrível! Mas percebi que não era isso que eu queria. Viver pra lá e pra cá, dormindo mal, duas noites em casa lugar, carregando uma mochila pesada… não era isso que eu queria.

Voltei pro Brasil decidida a me mudar novamente, mas dessa vez com residência fixa, com emprego fixo, com estabilidade em algum lugar pro planeta.

Por que a Arábia Saudita?

Em 2013, decidi que era hora. Eu iria emigrar e com um emprego na minha área. Eu sabia que não seria fácil afinal eu sou “só” mais uma professora de inglês e não sou nativa. Mas eu tinha que tentar. É aquele negócio, o “não” eu já tinha. Era hora de correr atrás do “sim”.

Pesquisando encontrei o site Dave’s ESL Cafe que, na minha opinião, é a melhor fonte de empregos nessa área ao redor do mundo. Percebi que alguns países exigem que o professor seja nativo mas outros aceitam não-nativos. Tava aí a minha chance.

Mandei meu currículo pra vários países, Indonésia, Tailândia, Vietnam, Rússia, Espanha, Ucrânia, Turquia, Emirados, Arábia Saudita… e esperei. Fui ignorada pela maioria (pelo fato de ser brasileira, não-nativa) mas recebi dois emais me chamando pra entrevista por Skype.

Minha primeira entrevista foi com a Hannah, uma inglesa que trabalhava na Arábia Saudita. Foram quase 2 horas de entrevista e eu suava em bicas. Estava tão nervosa! haha Aquela era a minha chance de ter a vida que eu queria!

Durante a nossa conversar, ela me explicou que a vida na Arábia Saudita seria completamente diferente. Lá não tinha álcool, carna de porco, vida noturna, interação homem-mulher… e eu teria que me cobrir completamente, da cabeça aos pés, usando a vestimenta completa das sauditas porque eu iria morar em Buraidah, Al Qassim: a região mais conservadora do país mais conservador do mundo!

Eu fiquei super intrigada e fui pesquisar mais sobre a Arábia Saudita. Realmente, a minha vida viraria de cabeça pra baixo. Na época, não encontrei nenhuma outra mulher brasileira trabalhando lá. Todas estavam acompanhando seus maridos e todos moravam nas cidades grandes. Eu iria sozinha, pra uma cidade do interior, sem conhecer ninguém e sem falar árabe.

No dia seguinte, fiz a entrevista com um senhor super gente boa de Istambul. Ele me explicou como seria o trabalho lá e perguntou se eu tinha outras ofertas. Eu disse que estava contemplando ir para Al Qassim, na Arábia Saudita. Ele riu na minha cara e disse que eu não aguentaria morar lá nem 1 mês porque era super conservador. Eu agradeci pela entrevista mas disse que iria pra Arábia Saudita. Ninguém diz na minha cara que eu não vou conseguir fazer algo.

E assim, desafiada por um senhor de meia-idade de Istambul, eu decidi me mudar pra Arábia Saudita.

A minha experiência na Arábia Saudita

Depois de meses esperando pelo visto, finalmente em 2014, embarquei rumo ao Reino da Arábia Saudita.

Contrariando TODAS as expectativas, inclusive as minhas e de meus pais, eu passei 2 anos e meio lá e foi a melhor experiência da minha vida. Mas isso é história pra outros posts… haha

Por enquanto, você pode assistir um pouco de como era a minha vida na Arábia Saudita no meu canal do Youtube.

Vídeos de Buraidah, Al Qassim, Arábia Saudita, onde eu morei por 2 anos e meio.

Vídeos de Jeddah, Arábia Saudita

Vídeos de Riade, capital da Arábia Saudita

 

About the author

Debora Garcia

Conheço 13 países mas escolhi o Oriente Médio para morar. Saí do Brasil em 2014 para trabalhar como professora na Arábia Saudita. Desde 2016 trabalhando no Líbano. <3

2 Comments

  • Nossa! Eu também queria muito achar um trabalho na região, até tenho o CELTA e falo algo de árabe porque morei em Omã, mandei um monte, mas um monte mesmo de currículos por todos os sites incluindo esse Dave’s ESL Cafe mas nunca ninguém me contatou de volta, muito triste mas nada a fazer.

    • Oi Juliana, eu acho que dei muita sorte de ter conseguido esse emprego em Saudi porque na época eu não tinha nem o CELTA! Eu também recentemente mandei meu CV pra deus e o mundo e recebi quase nada de resposta. Acho que com os anos, os nativos estão mais interessados em vir pro OM então acaba ficando mais difícil pra gente. Mas não desiste, não! Continua tentando que uma hora você ganha o “sim”. 🙂 Boa sorte pra nós!

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